Questão 129 caderno azul ENEM 2023 PPL

Fatores como introdução de espécies exóticas, destruição de hábitats e caça predatória têm como impacto a perda de biodiversidade. Isso tem como possível consequência a redução do potencial para gerar alimentos e produzir medicamentos.

Uma medida efetiva para a redução desse impacto é o(a)

A) plantio de espécies nativas.

B) promoção de endocruzamentos.

C) criação de espécies em cativeiro.

D) isolamento de fragmentos de matas nativas.

E) manutenção de espécies com mesmo nicho ecológico.

Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Ecologia (Preservação e Conservação Ambiental).
  • Dinâmica de Populações (Genética de Populações e Nicho Ecológico).
  • Sucessão Ecológica e Restauração de Habitats.

Tema/Objetivo Geral:
Identificar estratégias de manejo ambiental eficazes para mitigar a perda de biodiversidade causada por ações antrópicas, compreendendo a relação entre flora nativa, habitat e estabilidade do ecossistema.

Nível da Questão: Médio.

  • A questão exige que o aluno distinga entre medidas de conservação reais (restauração) e conceitos que parecem técnicos, mas são prejudiciais ou insuficientes (como endocruzamento, isolamento de fragmentos ou competição por nicho). Requer conhecimento conceitual preciso para eliminar os distratores.

Gabarito: Alternativa A.

  • O restabelecimento da cobertura vegetal com espécies nativas é a medida basal para a recuperação de qualquer ecossistema, pois restaura o habitat físico, protege o solo e reinicia a cadeia alimentar, permitindo o retorno da fauna e a recuperação da biodiversidade.

PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo:
O enunciado lista três grandes vilões da biodiversidade: espécies exóticas (invasoras), destruição de habitats e caça. O problema central é a “perda de biodiversidade” (redução do número de espécies e da variabilidade genética).
A missão é selecionar, dentre as opções, a única ação proativa que ataca a raiz do problema e ajuda a reverter esse quadro de degradação.

Simplificação Radical (A Analogia Central):
Imagine que uma biblioteca (a floresta) foi incendiada e saqueada. Os livros (animais e plantas) foram queimados ou roubados.
Para consertar isso, o que você deve fazer?

  • Trancar as portas das poucas salas que sobraram? (Isolamento – Ruim).
  • Xerocar o mesmo livro mil vezes? (Endocruzamento – Ruim).
  • Trazer livros de outra língua que ninguém entende? (Espécies Exóticas – Ruim).
  • Ou reconstruir as estantes e trazer de volta os livros originais que ficavam lá? (Plantio de Nativas – Bom).

Nosso Plano de Ataque:

  • Diagnóstico: Entender por que a perda de habitat é crítica.
  • Análise de Soluções: Avaliar qual alternativa propõe uma reconstrução do ambiente original.
  • Eliminação Técnica: Usar conceitos de Genética e Ecologia para provar por que as outras opções (B, C, D, E) são armadilhas que piorariam a situação.

PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Utilizaremos um Dossiê de Recuperação Ambiental para classificar as ações propostas.

I. A Base da Pirâmide: Espécies Nativas

  • Definição: Espécies que evoluíram naquele local específico.
  • Função: Elas são o suporte da teia alimentar. Insetos locais comem plantas locais; pássaros locais comem esses insetos. Se você planta uma árvore nativa, você não está apenas plantando madeira; você está trazendo de volta a casa e a comida da fauna local. É a “engenharia” da restauração.

II. O Perigo Genético: Endocruzamento

  • Conceito: Cruzamento entre parentes próximos (consanguinidade).
  • Resultado: Diminui a variabilidade genética. Aumenta a chance de doenças hereditárias e fraqueza populacional. É exatamente o oposto do que queremos para conservar uma espécie.

III. O Problema Espacial: Fragmentação e Isolamento

  • Conceito: Transformar uma floresta contínua em “ilhas” de mata.
  • Resultado: O isolamento impede que animais cruzem de uma mata para outra para namorar (fluxo gênico). Populações isoladas tendem à extinção. A solução é criar “Corredores Ecológicos”, não isolar.

IV. A Guerra Ecológica: Princípio da Exclusão Competitiva (Gause)

  • Conceito: Duas espécies não podem ocupar o mesmo nicho ecológico (mesma função, mesma comida, mesmo local) ao mesmo tempo.
  • Resultado: Competição feroz. Uma delas será extinta ou expulsa. Colocar espécies com o mesmo nicho juntas é receita para o desastre, não para a conservação.

PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos analisar a lógica da restauração ecológica aplicada ao problema.

O Raciocínio Construtivo:
O texto cita “destruição de habitats” como uma das causas.
Habitat é o “endereço” da espécie. Se a casa foi destruída, os moradores morrem ou vão embora.
Não adianta proibir a caça se não houver floresta para o animal viver.
Não adianta criar o animal em zoológico (cativeiro) se não houver floresta para soltá-lo depois.
Portanto, a medida estrutural e efetiva deve começar pelo chão: Restaurar a Flora.

Ao realizar o plantio de espécies nativas, desencadeamos o efeito cascata positivo:

  1. Recuperação do solo e da água.
  2. Retorno dos polinizadores (abelhas, pássaros).
  3. Retorno dos dispersores de sementes.
  4. Restabelecimento do equilíbrio que dificulta a invasão de espécies exóticas.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
Muitos alunos marcam a (C) criação de espécies em cativeiro.

  • Por que é sedutor? Parece uma medida de proteção animal (como o Projeto Tamar ou micos-leões).
  • Por que não é a melhor resposta? A criação em cativeiro é uma medida emergencial para espécies à beira da extinção (conservação ex situ). Ela não resolve o problema da destruição do habitat. Se você criar o animal e soltá-lo em um pasto degradado ou cheio de predadores exóticos, ele morre. A questão pede a redução do impacto geral da perda de biodiversidade e habitats, e a restauração do ecossistema (plantio) é uma solução mais ampla e definitiva do que apenas manter animais em jaulas.

A Bússola (Síntese do Raciocínio):
Precisamos de uma ação que reverta a destruição. Destruição tira plantas. Reverter = Colocar plantas de volta (Nativas).


PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Análise Individual:

(A) plantio de espécies nativas.
Análise de Correspondência: Esta é a medida fundamental da restauração ecológica. Ao reintroduzir a flora original, recupera-se o habitat físico e a base da cadeia alimentar, permitindo que a biodiversidade faunística se restabeleça naturalmente e oferecendo resistência biótica contra invasores.
Conclusão: ✔️ Alternativa correta.

(B) promoção de endocruzamentos.
Diagnóstico do Erro: Erro Conceitual (Genética de Populações).
Endocruzamento (cruzamento entre parentes) reduz a variabilidade genética e causa a “depressão endogâmica”, tornando as populações mais frágeis e suscetíveis a doenças. Para salvar a biodiversidade, devemos promover o oposto: o cruzamento entre indivíduos distantes para aumentar a variabilidade.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

(C) criação de espécies em cativeiro.
Diagnóstico do Erro: Solução Parcial / Tratamento de Sintoma.
Embora útil para casos críticos, não resolve a “destruição de habitats” citada no texto. Sem habitat recuperado, a reintrodução é impossível. É uma medida complementar, não a solução principal para a degradação ecossistêmica ampla.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

(D) isolamento de fragmentos de matas nativas.
Diagnóstico do Erro: Ação Prejudicial.
Isolar fragmentos impede o fluxo gênico. Animais ficam presos em “ilhas” de mata, cruzam entre parentes (ver item B) e se extinguem localmente. A estratégia correta de conservação é conectar fragmentos (corredores ecológicos), e não isolá-los.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

(E) manutenção de espécies com mesmo nicho ecológico.
Diagnóstico do Erro: Violação de Lei Ecológica (Gause).
Pelo Princípio da Exclusão Competitiva de Gause, duas espécies com o mesmo nicho ecológico competem pelos mesmos recursos limitados. Isso leva à exclusão (extinção) de uma delas, reduzindo a biodiversidade, em vez de aumentá-la.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.


PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento:
A restauração da biodiversidade começa pela base: o reflorestamento com espécies nativas reconstrói o habitat físico e a teia alimentar, revertendo os danos da fragmentação e da invasão biológica.

Resumo-flash:
“Sem casa, não tem morador: plante nativas para a vida voltar.”

Para ir Além (Ponte Interdisciplinar):
Conecte com a Genética.
O isolamento de fragmentos (Alternativa D) causa um fenômeno chamado Deriva Genética e Efeito Gargalo. Populações pequenas e isoladas perdem alelos (variedade genética) rapidamente, podendo fixar genes defeituosos, o que acelera a extinção mesmo sem intervenção humana direta. Por isso, a ecologia moderna foca tanto em “conectar” as matas.

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