A incapacidade de perceber certas cores é denominada daltonismo. Um tipo raro é classificado de tritanomalia e corresponde a um defeito nos cones sensíveis à cor azul. O gene responsável pela herança situa-se no cromossomo 7, permitindo que homens e mulheres sejam igualmente afetados. Além disso, casais sem tritanomalia podem ter crianças com a herança.
O padrão dessa herança rara é
A) ligado ao X e recessivo.
B) ligado ao Y e recessivo.
C) ligado ao X e dominante.
D) autossômico e recessivo.
E) autossômico e dominante

Resolução Em Texto
Matérias Necessárias para a Solução da Questão
Genética Clássica (Mendeliana), Padrões de Herança (Autossômica vs. Sexual) e Interpretação de Heredogramas.
Tema/Objetivo Geral
Identificar o padrão de herança genética (dominância e localização cromossômica) de uma característica específica com base em descrições fenotípicas familiares e localização gênica.
Nível da Questão: Médio.
- Exige o domínio de conceitos fundamentais de genética para interpretar o texto.
- O aluno precisa vencer o senso comum de que “todo daltonismo é ligado ao sexo” (armadilha conteudista).
Gabarito: Alternativa D.
- A localização no cromossomo 7 define a herança como autossômica, e o fato de pais normais terem filhos afetados define a característica como recessiva.
PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
O objetivo é classificar a doença genética descrita usando dois sobrenomes: o da localização (Autossômica ou Sexual) e o da força (Dominante ou Recessiva).
Simplificação Radical:
Imagine que estamos investigando um “suspeito” (o gene da tritanomalia). Precisamos preencher a ficha policial dele com duas informações:
- O Endereço: Ele mora nos cromossomos comuns (bairros públicos) ou nos cromossomos sexuais (bairros restritos)?
- O Comportamento: Ele consegue agir sozinho (Dominante) ou precisa de um comparsa igual a ele para fazer o estrago (Recessivo)?
Nosso Plano de Ataque será o seguinte:
- Analisar o endereço: O enunciado diz “cromossomo 7”. Vamos ver o que isso significa.
- Analisar o comportamento: O enunciado diz “casais sem a doença têm filhos com a doença”. Vamos traduzir isso para a lógica mendeliana.
- Combinar as pistas para encontrar a classificação final.
PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
Nesta etapa, vamos construir o raciocínio necessário através de um diálogo investigativo entre Mentor e Detetive (você).
Mentor: Vamos começar pelo endereço do gene. O texto afirma explicitamente que o gene está no “cromossomo 7”. Detetive, o que isso nos diz sobre a ligação com o sexo?
Detetive: Bem, os cromossomos sexuais são o X e o Y. Se o gene está no par 7, ele está em um cromossomo não sexual.
Mentor: Exato. Na genética, chamamos esses cromossomos numerados (do 1 ao 22) de autossomos. Então, a doença afeta homens e mulheres na mesma proporção?
Detetive: Sim, porque tanto homens quanto mulheres têm o par de cromossomos 7. Não há diferença de gênero aqui.
Mentor: Perfeito. Agora vamos para a segunda pista, a mais importante. O texto diz: “casais sem tritanomalia podem ter crianças com a herança”. Traduza isso. Como pais aparentemente saudáveis “criam” a doença?
Detetive: Se os pais não manifestam a doença, mas passam o gene para o filho, significa que o gene estava “escondido” neles.
Mentor: Correto. E qual é o nome que damos a um gene que consegue ficar escondido na presença de um gene normal, só se manifestando quando está em dose dupla?
Detetive: É um gene recessivo. Se fosse dominante, ele não conseguiria se esconder; um dos pais obrigatoriamente teria a doença.
Mentor: Brilhante. Então, temos um gene que mora num bairro comum (autossomo) e que gosta de se esconder (recessivo). A ferramenta lógica é: Pais Iguais (normais) gerando Filho Diferente (afetado) prova que a característica do filho é recessiva.
PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Vamos formalizar as pistas que desvendamos no diálogo.
Pista 1: O Local (Cromossomo 7)
- Cromossomos humanos vão do par 1 ao 22 (Autossomos) + o par sexual (XX ou XY).
- O par 7 é autossômico.
- Conclusão Parcial: A herança é Autossômica. (Eliminamos qualquer alternativa que diga “ligado ao X” ou “ligado ao Y”).
Pista 2: A Genealogia (Pais sadios, Filhos doentes)
- Vamos representar os pais normais como “A_”.
- Se eles tivessem um gene dominante para a doença, eles seriam doentes.
- Como são normais, o gene normal (A) domina sobre o gene da doença (a).
- Para terem um filho doente (aa), ambos os pais devem ser portadores (Heterozigotos: Aa).
- Pais (Aa) x (Aa) -> Filho (aa).
- Conclusão Parcial: A herança é Recessiva.
Síntese:
Juntando “Autossômica” com “Recessiva”, temos o perfil completo do suspeito.
🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
O aluno apressado lê a palavra “daltonismo” e, por reflexo condicionado, marca “Ligado ao X” (Alternativa A), pois aprendeu que o daltonismo clássico (verde/vermelho) funciona assim. O enunciado foi traiçoeiro ao apresentar um tipo raro e específico (tritanomalia) que tem regras diferentes. Nunca ignore o texto base em favor de um conhecimento prévio decorado!
A Bússola (O Perfil do Culpado)
- Síntese do raciocínio: Cromossomo 7 = Autossômico. Pais sãos com filhos doentes = Recessivo.
- Expectativa: Procuramos a combinação “Autossômico e Recessivo”.
PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
Alternativa A (ligado ao X e recessivo.)
Narrativa do Erro: O candidato ignora a informação do “Cromossomo 7” e usa seu conhecimento prévio sobre o daltonismo comum (verde-vermelho), que é de fato ligado ao X.
Diagnóstico do Erro: Vício de Aprendizagem (ignorar o texto em favor da memória).
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
Alternativa B (ligado ao Y e recessivo.)
Narrativa do Erro: Se fosse ligado ao Y, mulheres nunca seriam afetadas (elas não têm Y) e homens afetados passariam para 100% dos seus filhos homens. O texto diz que mulheres são afetadas igualmente.
Diagnóstico do Erro: Erro Conceitual sobre Herança Holândrica (restrita ao sexo).
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
Alternativa C (ligado ao X e dominante.)
Narrativa do Erro: Além do erro de localização (cromossomo 7 não é X), se fosse dominante, pais normais não poderiam ter filhos afetados (pois pais normais não teriam o gene dominante da doença para passar).
Diagnóstico do Erro: Erro de Lógica Mendeliana.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
Alternativa D (autossômico e recessivo.)
Análise de Correspondência: “Autossômico” corresponde ao cromossomo 7. “Recessivo” explica como o gene salta uma geração ou aparece em filhos de pais saudáveis (portadores).
Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
Alternativa E (autossômico e dominante)
Narrativa do Erro: Se fosse dominante, para a criança ter a doença, pelo menos um dos pais precisaria ter a doença (genes dominantes não ficam “escondidos”). O texto diz que pais sem tritanomalia têm filhos afetados, o que é impossível na herança dominante.
Diagnóstico do Erro: Erro de Lógica Mendeliana.
Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
A resposta é autossômica recessiva porque o gene mora no cromossomo 7 e consegue se esconder em pais saudáveis.
Resumo-flash (A Imagem Mental):
Gene Recessivo é o “tímido”: só aparece quando está acompanhado de outro tímido igual a ele (aa). O Dominante é o “exibido”: aparece sozinho (Aa ou AA).
Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Este mesmo padrão (Autossômico Recessivo) é o de doenças famosas como o Albinismo e a Fibrose Cística. Em todas elas, dois pais aparentemente saudáveis descobrem que são portadores do gene apenas quando nasce um filho afetado. É por isso que casamentos consanguíneos (entre primos) aumentam o risco de doenças raras: a chance de ambos os primos terem herdado o mesmo gene recessivo escondido do avô comum é muito maior do que na população geral.