
Nessa postagem dirigida aos seus seguidores de rede social, o autor utiliza uma linguagem
A) própria de manifestações poéticas.
B) aplicada em contextos da área desportiva.
C) característica àquela atribuída a falantes escolarizados.
D) empregada por falantes urbanos jovens de determinada região.
E) marcada por uma relação de distanciamento entre os interlocutores.

✍ Resolução Em Texto
Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
- Variação Linguística: Variação Social (Diastrática) e de Registro (Diafásica).
- Interpretação de Texto: Gêneros Digitais e Intencionalidade Discursiva.
- Funções da Linguagem: Função Apelativa (foco no receptor) e Poética.
Tema/Objetivo Geral:
Identificar a variedade linguística utilizada no texto (um tweet), reconhecendo as marcas de oralidade, gírias e expressões que denotam um grupo social específico (jovens urbanos/periferia) e geram proximidade com o leitor.
Nível da Questão: Fácil.
- Justificativa: As marcas linguísticas são explícitas e muito conhecidas (“nóiz”, “tendeu”, “cê”). A associação entre o autor (Emicida, um rapper famoso) e seu público-alvo torna a identificação do grupo social (jovens urbanos) intuitiva para a maioria dos estudantes.
Gabarito: D.
- Resumo: O autor utiliza termos como “maloqueiro”, “nóiz” e “tendeu”, além de reduções como “cê”. Essas escolhas não são aleatórias; elas representam o dialeto social (socioleto) de jovens urbanos, especialmente das periferias, criando uma identidade de grupo e conexão emocional.
1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
Função Pedagógica: Identificar o “sotaque social” do texto.
Decodificação do Objetivo: A questão te dá um texto cheio de gírias e pergunta: “Quem fala assim?”. É um poeta clássico? Um narrador de futebol? Um professor de gramática? Ou um jovem da cidade?
Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine que você entra numa sala e ouve alguém dizendo: “E aí, parça, tamo junto”.
Você sabe que essa pessoa não está dando uma palestra formal (C).
Você sabe que ela não está narrando um jogo (B).
Você sabe que ela está usando a linguagem da tribo dela (jovens urbanos).
Nosso Plano de Ataque será o seguinte:
- Circular as palavras que fogem da norma culta (“nóiz”, “tendeu”).
- Identificar quem é o público (“maloqueiro/a”).
- Ligar esse vocabulário ao grupo social correspondente na alternativa correta.
2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
Para classificar a linguagem, vamos usar o Raio-X da Variação Linguística.
Vamos mapear as características do texto em um Mapa Mental de Identidade:
O TEXTO DO EMICIDA
- 📍 Vocabulário (Léxico):
- “Maloqueiro” -> Identidade de grupo (periferia).
- “Ringue/Pódio” -> Metáforas de luta e vitória.
- 🗣️ Gramática (Sintaxe/Morfologia):
- “Nóiz” -> Variação popular de “nós” (marca de grupo).
- “Cê” -> Redução oral de “você”.
- “Tendeu?” -> Redução oral de “entendeu”.
- 🎯 Objetivo:
- Motivar e criar proximidade (Função Apelativa).
Conceito Chave: Socioleto
É a variedade da língua falada por um determinado grupo social. Aqui, o socioleto é o da juventude urbana periférica (o universo do Hip Hop).
3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Vamos analisar o texto linha por linha:
- “Aí, maloqueiro…”: O vocativo já define o público. Ele não fala “Prezado Senhor”. Ele fala com a “quebrada”.
- “Cê vai sair dessa prisão”: O uso do “Cê” marca a oralidade e a informalidade.
- “Faz isso por nóiz”: O uso de “nóiz” (com Z e sem concordância com o verbo no plural padrão) é uma marca de identidade. Não é erro por ignorância; é escolha de estilo para gerar pertencimento.
Síntese:
O texto é poético? Sim (tem ritmo e metáforas). Mas a pergunta é sobre a linguagem utilizada. A característica distintiva dessa linguagem não é ser apenas “poética” (poesia pode ser culta), mas ser marcada pelo registro oral e urbano de um grupo específico.
🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
A alternativa (A) (“própria de manifestações poéticas”) é o distrator mais perigoso.
- Por que seduz? Porque o texto é um poema/rap e tem metáforas (“fúria da beleza do Sol”).
- Por que está errada? A pergunta foca na variedade linguística (“linguagem”), não no gênero textual. A linguagem poética pode usar norma culta (como Camões). O que define este texto específico é o uso de marcas sociais (“nóiz”, “maloqueiro”), que apontam para a alternativa (D). A (D) é mais específica e precisa sobre a natureza das palavras escolhidas.
A Bússola (O Perfil do Culpado):
- Síntese do raciocínio: O autor usa gírias e grafias não-padrão (“nóiz”) para se comunicar com jovens da cidade.
- Expectativa: A alternativa correta deve falar sobre grupo social, jovens, urbano, oralidade ou coloquialismo.
4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
- A) própria de manifestações poéticas.
- Diagnóstico do Erro: Generalização.
- Narrativa do Erro: Embora seja um texto poético, a linguagem (o código usado) não é exclusiva da poesia. Gírias como “tendeu” e “nóiz” são marcas de fala cotidiana de um grupo, não necessariamente de poesia.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
- B) aplicada em contextos da área desportiva.
- Diagnóstico do Erro: Leitura Literal de Metáforas.
- Narrativa do Erro: O autor usa palavras como “ringue” e “pódio”, mas em sentido figurado (a vida é uma luta). Ele não está narrando um esporte; está motivando alguém a vencer na vida (“atrás desse diploma”).
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
- C) característica àquela atribuída a falantes escolarizados.
- Diagnóstico do Erro: Oposto da Norma Padrão.
- Narrativa do Erro: A norma “escolarizada” (culta) evitaria “nóiz” e “tendeu”. O texto usa deliberadamente a norma popular/urbana para gerar identidade, fugindo do padrão escolar tradicional.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
- D) empregada por falantes urbanos jovens de determinada região.
- Análise de Correspondência: Perfeito.
- “Falantes urbanos jovens”: Uso de gírias atuais (“maloqueiro”, “nóiz”).
- “Determinada região”: Refere-se às periferias dos grandes centros urbanos (berço da cultura Hip Hop de onde Emicida vem). A linguagem cria um espelho onde esse público se reconhece.
- Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
- Análise de Correspondência: Perfeito.
- E) marcada por uma relação de distanciamento entre os interlocutores.
- Diagnóstico do Erro: Contradição de Tom.
- Narrativa do Erro: O uso de “você/cê”, gírias compartilhadas (“nóiz”) e imperativos de conselho (“levanta”, “respira”) cria proximidade e intimidade, não distanciamento. É uma conversa de “igual para igual”.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
Frase de Fechamento:
Linguagem é identidade e poder: ao usar “nóiz” e “tendeu”, Emicida não está errando o português, está acertando o coração do seu público, validando a fala urbana e jovem (Alternativa D) como ferramenta legítima de expressão e afeto.
Resumo-flash (A Imagem Mental):
“Nóiz” não é erro de gramática; é crachá de pertencimento.
🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Este texto é um exemplo de Preconceito Linguístico sendo quebrado. A escola tradicional diria que “nóiz” está errado. A sociolinguística diz que “nóiz” é adequado ao contexto e ao grupo. O ENEM adora cobrar essa visão: a língua certa é a língua que funciona para quem a usa no momento certo.