TEXTO I
Você vai ficar obsoleto
Vivemos numa época em que as coisas ficam obsoletas cada vez mais rápido. Produtos e serviços desaparecem substituídos por outros, como também indústrias inteiras, devoradas por formas mais eficientes de trabalho. O comportamento das pessoas também está mudando; hoje aceitamos a inovação muito mais rápido.
Você sabia que a eletricidade demorou 46 anos para ser adotada por pelos menos 25% da população norte-americana? Para o telefone foram necessários 35 anos, 31 para o rádio, 26 para a televisão, 16 para o computador, 13 para o celular e apenas 7 para a internet.
Dessa forma, tecnologia e empreendedorismo formam uma combinação explosiva que afeta os tradicionais setores econômicos, transformando modelos de negócios inteiros e acelerando o envelhecimento das coisas. Portanto, a chave para lidar com isso nos exige sair constantemente da zona de conforto. Deixar para trás o velho e abrir-se ao novo é despir-se do medo do desconhecido. É deixar-se dominar pelo entusiasmo, pela curiosidade e pela vontade de viver e fazer diferente.
SENGER, A. Disponível em: www.cloudcoaching.com.br. Acesso em: 20 nov. 2021 (adaptado).
TEXTO II
A rotina obsoleta
Ser do tempo da máquina de escrever não me assusta mais. Já é objeto de museu. De colecionador. Até seu sucessor, o computador de mesa, está com os dias contados. Tão mais prático o laptop! Mas também existe o tablet, e quem sabe o que logo mais. É surpreendente a velocidade com que meu cotidiano se transforma. Objetos essenciais até um tempinho atrás desapareceram. Inventa-se um dispositivo, todo mundo tem, e, dali a pouco, ele é trocado por outro, mais avançado. A velocidade da mudança supera as eras anteriores. O próprio papel está perdendo a razão de ser. Documentos on-line são aceitos. Posso assinar um contrato por e-mail. Houve um tempo em que ter xerox de RG com firma reconhecida era um avanço. Hoje… Quem faz xerox? Imagine, eu sou do tempo em que na escola se faziam apostilas em xerox! Hoje, a gente recebe on-line. Parece estável? Vai sumir. A vida se torna obsoleta a cada segundo. Mas o novo vai surgir. Isso torna a vida fascinante. A realidade é deliciosamente instável.
CARRASCO, W. Disponível em: https://veja.abril.com.br. Acesso em: 20 nov. 2021.
Os textos I e II abordam a temática da obsolescência e têm em comum a
A) expressão de uma latente nostalgia.
B) crítica à velocidade das inovações tecnológicas.
C) percepção de uma constante sensação de inutilidade.
D) opinião desfavorável a mudanças de hábitos e comportamentos.
E) perspectiva otimista diante da impermanência do mundo contemporâneo.

✍ Resolução Em Texto
Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
- Interpretação de Texto: Comparação de teses e tom do discurso.
- Sociologia Digital: Obsolescência, Modernidade Líquida e Aceleração Social.
- Análise do Discurso: Identificação de posicionamento (otimista vs. pessimista).
Tema/Objetivo Geral:
Comparar dois textos que discutem a rapidez das mudanças tecnológicas (obsolescência), identificando que, apesar de reconhecerem a instabilidade e a velocidade assustadora do mundo moderno, ambos os autores adotam uma postura otimista e de aceitação diante do novo.
Nível da Questão: Médio.
- Justificativa: O tema da obsolescência geralmente é tratado de forma crítica (lixo eletrônico, consumismo). O aluno pode ser levado a marcar uma alternativa negativa (B ou C) pelo hábito. A dificuldade está em perceber que estes textos específicos fogem do padrão crítico e exaltam a mudança (“fascinante”, “entusiasmo”).
Gabarito: E.
- Resumo: O Texto I diz que devemos nos deixar dominar pelo “entusiasmo” e “curiosidade”. O Texto II diz que “o novo vai surgir” e que isso torna a vida “fascinante” e “deliciosamente instável”. Ambos rejeitam o medo ou a nostalgia e abraçam a impermanência (mudança constante) com otimismo.
1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
Função Pedagógica: Identificar o sentimento comum.
Decodificação do Objetivo: A questão pergunta: “Qual é a vibe dos dois autores sobre o fato de tudo ficar velho rápido?”. Eles estão chorando pelo passado? Estão bravos com a tecnologia? Ou estão achando tudo isso muito legal?
Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine dois surfistas olhando uma onda gigante.
Pessoa Comum: “Que perigo! Vai destruir tudo.” (Medo/Crítica).
Os Autores: “Uau! Que onda incrível! Vamos surfar!” (Otimismo/Entusiasmo).
A “onda” é a obsolescência tecnológica. Eles querem surfá-la.
Nosso Plano de Ataque será o seguinte:
- Identificar os adjetivos finais do Texto I: “Entusiasmo”, “Curiosidade”.
- Identificar os adjetivos finais do Texto II: “Fascinante”, “Deliciosamente instável”.
- Concluir que ambos são positivos/otimistas.
2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
Para acertar essa questão, precisamos diferenciar Assunto (o que se fala) de Tom (como se fala). Vamos simular uma investigação para descobrir a intenção real dos autores.
🕵️♂️ Mentor (Detetive): Vamos lá. O tema é “coisas ficando velhas rápido” (obsolescência). Geralmente, o que as pessoas falam sobre isso?
🧠 Aluno (Cérebro): Ah, geralmente reclamam. Dizem que gera lixo, que somos escravos da tecnologia, que “antigamente as coisas duravam”.
🕵️♂️ Mentor: Exato. Esse é o senso comum (a crítica). Agora, olhe para as palavras finais dos dois textos. O Autor 1 diz para a gente sentir medo?
🧠 Aluno: Não… ele diz para “deixar-se dominar pelo entusiasmo e pela curiosidade“.
🕵️♂️ Mentor: Interessante. E o Autor 2? Ele acha ruim que a realidade mude o tempo todo?
🧠 Aluno: Não. Ele diz que isso “torna a vida fascinante” e que a realidade é “deliciosamente instável”.
🕵️♂️ Mentor: “Fascinante”, “Deliciosa”, “Entusiasmo”. Essas são palavras de quem está criticando ou de quem está gostando?
🧠 Aluno: De quem está gostando!
🕵️♂️ Mentor: BINGO! Eles abordam um problema sério (a rapidez do mundo), mas com um olhar Otimista. Eles veem a mudança como uma aventura, não como uma tragédia.
Conceito Chave: Modalização do Discurso
Em interpretação de texto, os adjetivos e advérbios (como “deliciosamente”) funcionam como “emojis”. Eles revelam se o autor está feliz 😃 (otimista) ou triste 😞 (nostálgico/crítico) com o assunto.O computador de 10 anos atrás é lixo; o celular de 2 anos é velho. Isso gera a “impermanência” citada na resposta. Nada dura.
3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Vamos rastrear o sentimento em cada texto:
- Texto I:
- Começa descrevendo a rapidez (7 anos para a internet).
- Termina com uma ordem motivacional: “Deixar para trás o velho… deixar-se dominar pelo entusiasmo, pela curiosidade”.
- Veredito: Otimista.
- Texto II:
- Começa lembrando da máquina de escrever (poderia ser nostalgia).
- Mas diz: “Ser do tempo da máquina de escrever não me assusta mais”.
- Termina dizendo: “Isso torna a vida fascinante. A realidade é deliciosamente instável”.
- Veredito: Otimista.
Síntese:
Ambos veem a mudança não como uma perda, mas como uma oportunidade de fascínio e renovação.
🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
A alternativa (B) (“crítica à velocidade das inovações”) é o distrator mais perigoso.
- Por que seduz? Porque o texto fala sobre a velocidade (“cada vez mais rápido”, “surpreendente a velocidade”).
- Por que está errada? Falar sobre a velocidade não é criticar a velocidade. Criticar é dizer que é ruim. Eles dizem que é “fascinante” e “entusiasmante”. Eles constatam a velocidade, mas a avaliam positivamente. A alternativa B exige um julgamento negativo que não existe nos textos.
A Bússola (O Perfil do Culpado):
- Síntese do raciocínio: Os textos celebram a dinâmica veloz do mundo moderno como algo que mantém a vida interessante.
- Expectativa: A alternativa correta deve falar sobre otimismo, aceitação, fascínio ou visão positiva da mudança.
4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
- A) expressão de uma latente nostalgia.
- Diagnóstico do Erro: Interpretação Oposta.
- Narrativa do Erro: Nostalgia é saudade do passado. O Texto I diz “Deixar para trás o velho”. O Texto II diz “Ser do tempo da máquina de escrever não me assusta”. Eles olham para frente, não para trás.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
- B) crítica à velocidade das inovações tecnológicas.
- Diagnóstico do Erro: Confusão entre Constatação e Crítica.
- Narrativa do Erro: Como explicado na armadilha, eles descrevem a velocidade, mas não a criticam negativamente. Walcyr Carrasco (Texto II) diz que a instabilidade é “deliciosa”, o que é um elogio, não uma crítica.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
- C) percepção de uma constante sensação de inutilidade.
- Diagnóstico do Erro: Pessimismo não presente.
- Narrativa do Erro: O Texto I fala que “coisas” ficam obsoletas, não as pessoas. Ele diz que as pessoas devem ter “vontade de viver”. Não há menção a sentir-se inútil, mas sim a sentir-se desafiado a mudar.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
- D) opinião desfavorável a mudanças de hábitos e comportamentos.
- Diagnóstico do Erro: Contradição Direta.
- Narrativa do Erro: Ambos os textos são favoráveis à mudança. O Texto I diz para “abrir-se ao novo”. O Texto II diz que “o novo vai surgir” e isso é bom.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
- E) perspectiva otimista diante da impermanência do mundo contemporâneo.
- Análise de Correspondência: Perfeito.
- “Impermanência”: “Coisas ficam obsoletas” (Texto I), “A vida se torna obsoleta a cada segundo” (Texto II).
- “Perspectiva otimista”: “Entusiasmo/Curiosidade” (Texto I), “Fascinante/Deliciosamente instável” (Texto II).
- Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
- Análise de Correspondência: Perfeito.
5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
Frase de Fechamento:
No mundo moderno, a única constante é a mudança: em vez de lamentar o fim das coisas, os autores nos convidam a surfar no tsunami da inovação, adotando uma perspectiva otimista (Alternativa E) onde a obsolescência não é morte, é renovação.
Resumo-flash (A Imagem Mental):
O passado é museu. O presente é “deliciosamente instável”.
🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Essa mentalidade é o cerne do “Lifelong Learning” (Aprendizado ao Longo da Vida). Num mundo onde o conhecimento vence rápido (obsolescência), a habilidade mais importante não é o que você sabe, mas a sua capacidade de aprender coisas novas (curiosidade/entusiasmo) o tempo todo.