Questão 02, caderno azul do ENEM 2023 PPL -Inglês

“We won’t ruin Mars. It’s too big and too good.” said the captain. “You think not? We Earth Men have a talent for ruining big, beautiful things. The only reason we didn’t set up hot-dog stands in the midst of the Egyptian temple of Karnak is because it was out of the way and served no large commercial purpose. And Egypt is a small part of Earth. But here, this whole thing is ancient and different, and we have to set down somewhere and start fouling it up. We’ll call the canal the Rockefeller Canal and the mountain King George Mountain
and the sea the Dupont Sea, and there’ll be Roosevelt and Lincoln and Coolidge cities, and it won’t ever be right, when there are the proper names for these places.”

BRADBURY, R. And the Moon Be Still as Bright. In: The
Martian Chronicles. Londres: Harper Collins, 2014.

Nesse fragmento de um conto do autor Ray Bradbury, o personagem revela ao capitão

A) sua dúvida sobre a preservação de lugares antigos.
B) seu entusiasmo com a descoberta de um território.
C) sua curiosidade sobre o desenvolvimento do Egito.
D) sua indiferença com o crescimento dos espaços urbanos.
E) sua preocupação com a exploração de um planeta.

✍ Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão:

  • Língua Inglesa: Interpretação de textos literários (ficção científica).
  • Crítica Social: Colonialismo, Apropriação Cultural e Consumismo.
  • Intertextualidade: Referências históricas (Egito, Karnak).

Tema/Objetivo Geral:
Analisar um trecho da obra As Crônicas Marcianas, de Ray Bradbury, identificando a crítica do personagem à tendência humana de colonizar, comercializar e destruir a beleza original de novos mundos, projetando uma preocupação com o futuro de Marte.

Nível da Questão: Médio.

  • Justificativa: O texto exige leitura em inglês e interpretação de um argumento crítico. O aluno precisa ir além da tradução literal e captar o tom de lamento e cinismo do personagem, que prevê a repetição dos erros humanos (poluição, renomeação de lugares, comércio banal) em um planeta virgem.

Gabarito: E.

  • Resumo: O personagem argumenta contra o otimismo do capitão (“Nós não vamos arruinar Marte”). Ele diz que os humanos têm um “talento para arruinar coisas grandes e belas”. Ele cita exemplos da Terra (Egito) e prevê que Marte será renomeado com nomes de empresários (Rockefeller) e políticos (Roosevelt), perdendo sua identidade (“it won’t ever be right”). Isso revela sua preocupação com a exploração predatória do planeta.

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Função Pedagógica: Identificar o sentimento do falante.

Decodificação do Objetivo: A questão quer saber o que o personagem sente ou pensa sobre a chegada dos humanos em Marte. Ele está feliz? Curioso? Ou com medo de que a gente estrague tudo?

Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine que você descobre uma praia deserta e linda.

Seu amigo diz: “Que legal! Vamos construir um resort, um estacionamento e vender cachorro-quente!”.

Você diz: “Ah, não… Vocês vão estragar tudo. Devíamos deixar como está”.

O que você sente? Preocupação com a destruição da praia.

O personagem sente isso por Marte.

Nosso Plano de Ataque será o seguinte:

  • Traduzir a frase chave: “We Earth Men have a talent for ruining big, beautiful things” (Temos talento para arruinar coisas belas).
  • Analisar a previsão dele: Nomes comerciais (“Rockefeller Canal”), sujeira (“fouling it up”).
  • Concluir que isso demonstra uma preocupação negativa, não entusiasmo.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para entender a tensão do texto, precisamos colocar frente a frente a visão ingênua do Capitão e a visão crítica do Personagem. Vamos usar a Tabela de Expectativa vs. Realidade.

Aspecto Visão do Capitão (Otimismo) 🚀 Visão do Personagem (Preocupação) 😟
A Premissa “Nós não vamos arruinar Marte.” “Nós temos talento para arruinar coisas belas.”
O Argumento Marte é “grande demais e bom demais” para ser estragado. A Terra só não foi toda estragada (Egito) porque alguns lugares eram “fora de mão”.
O Futuro Previsto Respeito e grandiosidade. Banalização: Barracas de cachorro-quente (hot-dog stands).
A Identidade (Implícito: Manter a originalidade). Perda de identidade: Rebatizar lugares com nomes de empresas e políticos (Rockefeller Canal, Lincoln City).

Conceito Chave: Colonização Predatória
O personagem descreve o processo clássico de colonização: o invasor chega, ignora a cultura local (os nomes originais de Marte), impõe sua própria cultura (nomes de políticos da Terra) e explora comercialmente a beleza natural. A “preocupação” dele vem da certeza de que esse ciclo vai se repetir.Marte.


3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos analisar o diálogo:

  • Capitão: “Não vamos arruinar Marte. É grande demais.” (Otimista/Ingênuo).
  • Personagem: “Você acha que não? Nós temos talento para arruinar…” (Pessimista/Crítico).
    • Argumento 1: Só não estragamos o Egito porque estava fora de mão.
    • Argumento 2: Aqui (Marte) vamos começar a sujar (“start fouling it up”).
    • Argumento 3: Vamos dar nomes de ricos e políticos (“Rockefeller”, “Lincoln”) para coisas que já têm nome.
    • Conclusão: “Não vai ser certo” (It won’t ever be right).

Síntese:
O personagem não tem dúvida (A), nem entusiasmo (B). Ele tem certeza de que vai dar errado. Ele está preocupado com a repetição dos erros terrestres em um novo mundo.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
A alternativa (A) (“sua dúvida sobre a preservação”) pode confundir.

  • Por que seduz? Porque o tema é preservação.
  • Por que está errada? A palavra “dúvida” é fraca. O personagem não diz “será que vamos estragar?”. Ele diz “nós temos talento para arruinar” e “nós vamos chamar o canal de Rockefeller”. Ele está fazendo uma previsão assertiva e cínica, não expressando dúvida. Ele tem certeza do desastre. A “preocupação” (E) capta melhor o tom de alerta e lamento.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: O personagem lamenta que a humanidade vá transformar Marte em uma cópia comercial e poluída da Terra.
  • Expectativa: A alternativa correta deve falar sobre medo, crítica, pessimismo ou preocupação com o impacto humano.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

  • A) sua dúvida sobre a preservação de lugares antigos.
    • Diagnóstico do Erro: Suavização da Certeza.
    • Narrativa do Erro: O personagem não duvida; ele afirma que os humanos vão estragar (“we have to set down… and start fouling it up”). Ele é fatalista, não indeciso.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • B) seu entusiasmo com a descoberta de um território.
    • Diagnóstico do Erro: Inversão de Sentimento.
    • Narrativa do Erro: O texto é melancólico e crítico. “Arruinar coisas belas” não é frase de entusiasmo. O entusiasmo é do capitão (“Too big and too good”), não do personagem falante.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • C) sua curiosidade sobre o desenvolvimento do Egito.
    • Diagnóstico do Erro: Foco no Exemplo.
    • Narrativa do Erro: O Egito é citado apenas como exemplo de lugar que escapou da comercialização total por sorte (“out of the way”). O foco do texto é Marte, não a história do Egito.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • D) sua indiferença com o crescimento dos espaços urbanos.
    • Diagnóstico do Erro: Contradição.
    • Narrativa do Erro: Ele se importa muito, tanto que faz um discurso apaixonado contra a urbanização de Marte (“Hot-dog stands”, “Rockefeller Canal”). Indiferença seria não opinar.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • E) sua preocupação com a exploração de um planeta.
    • Análise de Correspondência: Perfeito. O personagem descreve um futuro sombrio onde a exploração humana tira a identidade de Marte (“proper names”) e o suja (“fouling it up”). Isso demonstra uma profunda preocupação ética e estética com o processo de colonização.
    • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento:
A ficção científica é um espelho do presente: ao criticar a futura colonização de Marte, Ray Bradbury revela sua preocupação (Alternativa E) com a tendência humana de transformar o sagrado em mercado e a natureza em mercadoria, repetindo no espaço os erros cometidos na Terra.

Resumo-flash (A Imagem Mental):
Um McDonald’s na cratera de Marte? Para o personagem, isso é um pesadelo, não progresso.

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Este texto antecipa debates atuais sobre a Ética Espacial. Com empresas como SpaceX e Blue Origin querendo colonizar Marte, a pergunta de Bradbury continua viva: temos o direito de “sujar” outro planeta? Ou deveríamos preservá-lo como um parque natural cósmico?

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