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Questão 130 caderno azul do ENEM 2024 PPL – Dia 2

Em um laboratório, pesquisadores tentavam desenvolver uma vacina contra um vírus que infecta tanto roedores como o homem. Uma das vacinas foi capaz de imunizar 100% dos ratos testados, o que foi considerado um grande sucesso. Entretanto, quatro semanas após, novos experimentos com outras cobaias mostraram que 40% dos animais não sobreviveram a testes para a mesma vacina. Em um terceiro experimento, três meses depois, apenas 15% das novas cobaias sobreviveram aos testes.

Qual o principal mecanismo envolvido na perda de imunização das cobaias?

A) Diminuição da carga viral nas cobaias.

B) Supressão do sistema imune das cobaias.

C) Elevada taxa de mutação dos vírus ativos.

D) Perda da memória imunológica das cobaias.

E) Mudança da janela imunológica dos animais testados

✍ Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão: Biologia (Virologia, Imunologia e Evolução).

Tema/Objetivo Geral: Compreender a relação entre a alta taxa de mutação viral e a eficácia das vacinas ao longo do tempo (Evasão Imune).

Nível da Questão: Médio.
Por que Médio? A questão exige que o aluno diferencie falhas do sistema imune (como perda de memória) de características intrínsecas do patógeno (mutação). É fácil confundir a “validade da vacina” com o “esquecimento do corpo”, mas o intervalo de tempo curto (semanas/meses) aponta para o vírus, não para o hospedeiro.

Gabarito: C (Elevada taxa de mutação dos vírus ativos).
A alternativa está correta pois vírus com alta taxa de mutação alteram rapidamente suas proteínas de superfície (antígenos). Como a vacina treinou o corpo para reconhecer a “versão antiga” do vírus, o sistema imune não reconhece a “nova versão” mutante, perdendo a eficácia.


1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo:
A questão conta uma história de fracasso progressivo: Uma vacina funcionou perfeitamente no dia 1. Um mês depois, falhou um pouco. Três meses depois, falhou quase totalmente.
O objetivo é identificar QUEM mudou nesse meio tempo: Foi o corpo dos ratos que “esqueceu” como lutar ou foi o vírus que “aprendeu” a se esconder?

Simplificação Radical (A Analogia Central):
Imagine que a vacina é um cartaz de “Procurado” com a foto do vírus, distribuído para a polícia (sistema imune).

  • No começo, a polícia prende todo mundo que parece com a foto. (100% eficácia).
  • O vírus é um mestre dos disfarces. Depois de um mês, ele deixa crescer um bigode. A polícia pega alguns, mas outros escapam. (60% eficácia).
  • Depois de três meses, o vírus fez plástica e mudou a cor do cabelo. A foto antiga não serve mais para nada. A polícia não o reconhece. (15% eficácia).
  • A pergunta é: O que aconteceu? Resposta: O criminoso mudou de rosto (Mutação).

Plano de Ataque:

  1. Analisar o Tempo: A queda de imunidade foi muito rápida (semanas). Memória imunológica dura anos.
  2. Analisar o Agente: É um vírus. Vírus (especialmente de RNA) sofrem muitas mutações.
  3. Concluir: Se o alvo muda, a arma (vacina) erra.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Vamos usar os conceitos de Imunogenicidade e Mutação Viral.

Ferramenta 1: Antígeno e Anticorpo (Chave e Fechadura)
A vacina cria anticorpos (chaves) que se encaixam nos antígenos do vírus (fechaduras). Se o encaixe for perfeito, o vírus morre.

Ferramenta 2: A Taxa de Mutação
Vírus se reproduzem muito rápido e cometem erros ao copiar seu material genético. Esses erros são mutações.

  • Se a mutação muda a forma da “fechadura” (antígeno), a “chave” (anticorpo da vacina) não entra mais.
  • Isso se chama Seleção de Variantes Resistentes.

3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos investigar a cena do crime:

  • Experimento 1 (Tempo Zero): Vacina x Vírus Original.
    • Resultado: 100% de sucesso. A “chave” abriu a “fechadura”.
  • Experimento 2 (4 semanas depois): Vacina x Vírus (Filhos do original).
    • Resultado: 60% de sobrevivência. A eficácia caiu.
    • Por quê? Alguns vírus nasceram diferentes (mutantes) e a vacina não pegou esses. Eles mataram 40% dos ratos.
  • Experimento 3 (3 meses depois): Vacina x Vírus (Netos do original).
    • Resultado: 15% de sobrevivência. Fracasso quase total.
    • Por quê? A população viral agora é predominantemente feita de mutantes que a vacina não reconhece.

Análise do Detetive:
O sistema imune dos ratos (memória) não desaparece em 4 semanas. O que mudou foi o vírus. Ele evoluiu para escapar da vacina.

Expectativa: Procurar a alternativa que fale sobre mudança no vírus, mutação ou variabilidade genética.


4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

  • A) Diminuição da carga viral nas cobaias.
    • Diagnóstico do Erro: Lógica Inversa. Se a carga viral (quantidade de vírus) diminuísse, os ratos sobreviveriam mais, não menos. Menos vírus = Menos doença.
    • Conclusão: 🔴 Incorreta.

  • B) Supressão do sistema imune das cobaias.
    • Diagnóstico do Erro: Fato não citado. O texto não diz que os ratos tomaram remédios imunossupressores ou tinham AIDS. Assumimos que os ratos eram saudáveis para o teste.
    • Conclusão: 🔴 Incorreta.

  • C) Elevada taxa de mutação dos vírus ativos.
    • Análise: Perfeita. O vírus sofreu alterações genéticas rápidas (mutações) que modificaram suas proteínas de superfície. Os anticorpos gerados pela vacina (feitos para a versão original) não conseguem mais reconhecer ou neutralizar a nova versão do vírus. É o mesmo motivo pelo qual a vacina da gripe precisa mudar todo ano.
    • Conclusão: 🟢 Alternativa correta.

  • D) Perda da memória imunológica das cobaias.
    • Diagnóstico do Erro: Tempo Incompatível. A memória imunológica (Células B e T de memória) é feita para durar anos ou a vida toda. Perder a imunidade em apenas 4 semanas não é o padrão biológico de uma vacina funcional.
    • Conclusão: 🔴 Incorreta.

  • E) Mudança da janela imunológica dos animais testados.
    • Diagnóstico do Erro: Uso errado do termo. Janela imunológica é o tempo entre pegar a doença e o exame dar positivo. Isso não tem relação com a vacina deixar de proteger contra a morte.
    • Conclusão: 🔴 Incorreta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento:
A perda progressiva da eficácia vacinal em curto prazo é causada pela alta variabilidade genética do vírus (mutações), que altera seus antígenos e permite que ele escape do reconhecimento pelos anticorpos previamente produzidos.

Resumo-flash (A Imagem Mental):
“A vacina decorou o rosto do vírus, mas o vírus fez plástica (mutação) e passou despercebido.”

🧠 Para ir Além (Conexão com a Gripe e COVID):
Por que tomamos vacina da gripe todo ano? Porque o vírus Influenza sofre essa mesma mutação descrita na questão (chamada de Antigenic Drift). O vírus de 2023 é “filho” do de 2022, mas tem o “nariz” diferente, então a vacina velha não serve mais. O HIV (citado na questão como infectando homens) é o campeão mundial de mutação, por isso até hoje não existe vacina eficaz para ele!

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