A atividade de trançar cabelos tornou-se um trabalho para muitas mulheres e homens negros na sociedade brasileira. No Rio de Janeiro, encontramos trabalhadoras e trabalhadores cultivando uma arte que não começou nos territórios de diáspora africana. Penteados complexos eram marcas civilizatórias de várias sociedades africanas. Trançar cabelos e enfeitá-los com adornos — tais como: conchas, búzios e miçangas, que entre seus muitos significados representam prosperidade — é uma ação muito antiga.
SANTOS, L. B. Mapeamento de trancistas afro do estado do Rio de Janeiro.
Disponível em: www.geledes.org.br. Acesso em: 5 out. 2021 (adaptado).
O texto destaca que a atividade de trançar os cabelos no Brasil é uma
A) inovação de prática usual.
B) apropriação da cultura local.
C) rejeição do momento presente.
D) afirmação da herança ancestral.
E) ratificação do senso comum.

Resolução Em Texto
📚 Matérias Necessárias para a Solução da Questão
- Sociologia (Cultura Afro-Brasileira, Identidade, Patrimônio Cultural Imaterial)
- História da África e da Diáspora
- Interprepretação de Texto
🎯 Tema/Objetivo Geral
Reconhecimento de uma prática cultural contemporânea (trançar cabelos) como a continuidade e afirmação de uma herança ancestral africana.
📊 Nível da Questão
Fácil.
Por quê? A questão pede para identificar o que a atividade de trançar cabelos representa, de acordo com o texto. O texto é extremamente claro e explícito ao traçar a origem da prática, afirmando que ela “não começou nos territórios de diáspora africana” e que é “uma ação muito antiga” vinda de “várias sociedades africanas”. A conexão com a ideia de “herança ancestral” é direta.
✅ Gabarito
Alternativa D.
Resumo: O texto enfatiza que a prática de trançar cabelos, hoje um trabalho no Brasil, tem raízes profundas na África, onde era uma “marca civilizatória” e “uma ação muito antiga”. Ao continuar essa prática, os trancistas no Brasil estão, portanto, mantendo viva e afirmando sua herança ancestral.
Passo 1: Análise do Comando e Definição do Objetivo
Transcrição Essencial 📌
“O texto destaca que a atividade de trançar os cabelos no Brasil é uma”
O que está sendo pedido?
A questão nos pede para definir o que significa a prática de trançar cabelos no Brasil, segundo a perspectiva apresentada no texto.
Objetivo Cristalino 💎
Nosso objetivo é ler o texto e entender a conexão que o autor faz entre a prática atual no Brasil e suas origens históricas na África.
🧠 O ato de trançar os cabelos é algo que foi inventado recentemente no Brasil ou é uma prática que tem uma história longa e profunda, vinda de outro continente?
Passo 2: Explicação de Conceitos e Conteúdo Necessários
Definição de Termos 🔖
- Diáspora Africana: Refere-se à dispersão forçada de povos africanos pelo mundo, principalmente para as Américas, através do tráfico de escravizados. A diáspora não levou apenas pessoas, mas também suas culturas, conhecimentos e tradições.
- Marcas Civilizatórias: São os elementos (costumes, artes, tecnologias, etc.) que caracterizam e distinguem uma civilização ou sociedade. O texto confere esse status aos penteados africanos.
- Herança Ancestral: É o legado cultural, social e genético transmitido pelos antepassados. É a conexão de um povo com suas raízes e sua história.
- Apropriação Cultural: Ocorre quando membros de uma cultura dominante adotam elementos de uma cultura minoritária ou oprimida, muitas vezes esvaziando-os de seu significado original e transformando-os em moda ou mercadoria, sem dar o devido crédito ou respeito à sua origem. (Importante notar que o texto fala de afro-brasileiros praticando uma arte afro, o que é o oposto de apropriação cultural).
Passo 3: Tradução e Interpretação do Problema
Contextualização Simplificada 💬
O texto é como uma pequena aula de história e cultura. Ele nos conta que o trabalho de trançar cabelos, que vemos hoje no Rio de Janeiro, não é uma moda que surgiu do nada. É muito mais profundo que isso.
Ele nos leva em uma viagem no tempo, para a África, e nos mostra que lá, há muito, muito tempo, os penteados complexos e as tranças já eram super importantes, eram “marcas civilizatórias”. Eram uma forma de arte, de comunicação, de identidade.
Então, quando uma mulher ou um homem negro no Brasil de hoje trança cabelos, ele não está apenas fazendo um penteado. Ele está continuando uma tradição, reconectando-se com a história de seus antepassados e afirmando essa rica herança cultural que sobreviveu à diáspora. A pergunta é: qual o nome que damos a essa “continuidade da tradição dos antepassados”?
Estratégia Geral 🗺️
Nossa estratégia será focar nas passagens do texto que traçam a origem histórica da prática, para entender que a atividade atual é uma continuação dessa tradição.
Passo 4: Desenvolvimento do Raciocínio
Passo a Passo Detalhado 👣
- A Prática Atual: O texto começa descrevendo a atividade como um “trabalho para muitas mulheres e homens negros na sociedade brasileira”.
- A Conexão Histórica (O Ponto-Chave): O autor imediatamente nega que a prática seja uma invenção local: “…uma arte que não começou nos territórios de diáspora africana.”
- A Origem: Onde ela começou, então? Em “várias sociedades africanas“, onde os penteados eram “marcas civilizatórias“.
- A Antiguidade: O texto reforça a profundidade histórica: “Trançar cabelos […] é uma ação muito antiga.”
- A Síntese: O texto está estabelecendo uma linha direta e ininterrupta de continuidade entre a prática cultural ancestral da África e a prática profissional contemporânea no Brasil. Ao realizar essa atividade, os trancistas estão mantendo viva e celebrando uma tradição que pertence a seus antepassados.
- Conclusão: Portanto, a atividade de trançar os cabelos no Brasil é uma afirmação da herança ancestral.
A Armadilha Comum 🚨
A armadilha mais comum é a Alternativa B (“apropriação da cultura local”). Primeiro, a cultura das tranças não é “local” no sentido de ser originária do Brasil, mas sim da África. Segundo, e mais importante, o texto descreve afro-brasileiros praticando uma arte de origem africana. Isso não é apropriação, mas sim reapropriação e afirmação de sua própria herança cultural.
Fechamento e Expectativa
A análise nos leva a procurar a alternativa que melhor descreva essa conexão com as raízes e a história africana.
Passo 5: Análise das Alternativas
🔴 A) inovação de prática usual.
Incorreta. O texto enfatiza a antiguidade e a continuidade da prática, não sua inovação.
🔴 B) apropriação da cultura local.
Incorreta. A prática não é de origem “local” (brasileira) e não se trata de apropriação, mas de reafirmação de uma herança própria.
🔴 C) rejeição do momento presente.
Incorreta. A prática está viva e atuante no presente como “um trabalho para muitas mulheres e homens”, não uma rejeição a ele.
🟢 D) afirmação da herança ancestral.
Correta. O texto constrói uma linha direta entre a prática atual no Brasil e suas origens antigas como “marcas civilizatórias” em sociedades africanas, caracterizando-a como uma forma de manter e afirmar essa herança.
🔴 E) ratificação do senso comum.
Incorreta. O texto, ao explicar a profundidade histórica e cultural da prática, busca justamente combater uma visão de senso comum que poderia ver as tranças apenas como um penteado da moda, sem história.
Passo 6: Conclusão e Justificativa Final
Resumo do Raciocínio 📝
O texto estabelece uma conexão direta entre a atividade contemporânea de trançar cabelos no Brasil e suas raízes históricas profundas. Ao afirmar que a prática não é uma criação da diáspora, mas sim uma “ação muito antiga” e uma “marca civilizatória” de diversas sociedades africanas, o autor caracteriza a atividade atual como uma forma de continuidade e celebração dessa tradição. Portanto, o trabalho das trancistas no Brasil é uma manifestação de orgulho e uma afirmação de sua herança ancestral.
Gabarito Reafirmado 🏅
A alternativa correta é a D.
Resumo Final para Revisão 🔍
Quando um texto mostra que um costume de hoje tem uma origem muito antiga e importante em um povo ancestral, ele está falando de herança ancestral. A prática atual se torna uma forma de afirmar e honrar essa herança.