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Questão 62, caderno azul do ENEM 2022 D1

Brasil e Argentina chegaram a um acordo para a redução em 10% da Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul. O consenso foi alcançado durante negociação entre o ministro das Relações Exteriores do Brasil e o seu equivalente argentino, no Palácio do Itamaraty, em Brasília, no início do mês de outubro de 2021. A redução da TEC é um antigo desejo do Brasil, que pretende abrir mais sua economia e, com isso, ajudar a controlar a inflação. Já a Argentina temia que a medida pudesse afetar sua produção industrial. O acordo vai abranger uma ampla gama de produtos e ainda será apresentado ao Paraguai e Uruguai, para que seja formalizado.

Brasil e Argentina fecham acordo para corte de 10% na tarifa do Mercosul.
Disponível em: https://oglobo.globo.com. Acesso em: 8 out. 2021 (adaptado).

A necessidade de negociação diplomática para viabilizar o acordo tarifário mencionado é explicada pela seguinte característica do Mercosul:

A) Limitação da circulação financeira.

B) Padronização da política monetária.

C) Funcionamento da união aduaneira.

D) Dependência da exportação agrícola.

E) Equivalência da legislação trabalhista.

✍ Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão:

  • Geografia Econômica: Blocos Econômicos e suas fases de integração.
  • Geopolítica: O funcionamento do Mercosul.
  • Economia Internacional: Conceitos de Tarifas e Barreiras Alfandegárias.

Tema/Objetivo Geral:
Compreender as regras de funcionamento do Mercosul, especificamente a obrigatoriedade de decisões conjuntas sobre taxas de importação devido ao seu status de União Aduaneira.

Nível da Questão: Médio.

  • Justificativa: A questão exige um conhecimento técnico específico: a diferença entre uma Área de Livre Comércio e uma União Aduaneira. O aluno precisa saber que a existência da TEC (Tarifa Externa Comum) é o que obriga a negociação diplomática, impedindo decisões unilaterais.

Gabarito: C.

  • Resumo: O Brasil não pode alterar suas tarifas de importação sozinho porque faz parte de uma União Aduaneira. Nesse estágio de integração, todos os países do bloco devem cobrar a mesma taxa (TEC) para produtos vindos de fora, exigindo consenso diplomático para qualquer mudança.

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Função Pedagógica: Identificar a regra do jogo.

Decodificação do Objetivo: A questão pergunta: “Por que o Brasil teve que pedir permissão para a Argentina, Uruguai e Paraguai para baixar seus impostos de importação?”. Por que ele não pode fazer isso sozinho?

Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine que o Mercosul é um Condomínio Fechado.

Dentro do condomínio, os vizinhos circulam livremente (Livre Comércio).

Mas o condomínio tem um Muro Externo e uma Portaria Única.

A TEC é a altura desse muro. O Brasil quer baixar o muro, mas a Argentina acha perigoso. Como o muro pertence a todos, o Brasil não pode derrubá-lo sozinho; precisa negociar com o síndico e os vizinhos.

Nosso Plano de Ataque será o seguinte:

  • Entender o que é a TEC (Tarifa Externa Comum).
  • Identificar em qual tipo de bloco econômico existe a TEC.
  • Concluir que essa estrutura obriga a negociação conjunta.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para entender a “amarra” diplomática citada na notícia, vamos traçar o caminho da decisão dentro do bloco.

FLUXOGRAMA: A LÓGICA DA TARIFA COMUM

  1. 🚀 A INTENÇÃO (O Brasil):
    • O governo brasileiro quer reduzir o imposto de importação em 10% para combater a inflação interna.
    • Objetivo: Alterar a alíquota.

    ⬇️ Barreira Institucional

  2. 🚧 O OBSTÁCULO (A Regra do Jogo):
    • O Brasil faz parte de uma União Aduaneira (Mercosul).
    • Regra de Ouro: Existe uma Tarifa Externa Comum (TEC). O imposto para quem vem de fora deve ser igual em Santos (BR) e em Buenos Aires (ARG).

    ⬇️ Consequência Obrigatória

  3. 🤝 A AÇÃO (A Diplomacia):
    • Como a tarifa é “comum” (do bloco), o Brasil não pode mudá-la sozinho.
    • Ele precisa negociar e obter o consenso da Argentina, Paraguai e Uruguai.

Conceito Chave: Soberania Compartilhada
Ao entrar em uma União Aduaneira, o país entrega a “chave” da sua alfândega para o grupo. Ele ganha acesso ao mercado dos vizinhos, mas perde a liberdade de definir suas próprias taxas de importação unilateralmente.


3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos analisar o texto da notícia:

  • “Brasil e Argentina chegaram a um acordo… redução da TEC”.
  • “Ainda será apresentado ao Paraguai e Uruguai”.

O Raciocínio do Detetive:
Se o Brasil precisa apresentar a proposta para todos os outros, significa que a tarifa não é brasileira, é do bloco. Se a tarifa é do bloco, o bloco age como um único território alfandegário (União Aduaneira) frente ao resto do mundo.

Por que a Argentina temia?
Se o Brasil baixa a TEC, produtos baratos da China entram mais fácil. Isso é bom para controlar a inflação (Brasil), mas ruim para a indústria nacional que não consegue competir (Argentina). Por isso a necessidade de negociação diplomática: equilibrar o desejo de abrir mercado do Brasil com o protecionismo da Argentina.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: A existência da TEC define o Mercosul como uma União Aduaneira. Isso exige que qualquer alteração nas taxas de importação seja aprovada por todos os membros.
  • Expectativa: A alternativa correta deve conter o termo “União Aduaneira” ou descrever a adoção de tarifas comuns.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

  • A) Limitação da circulação financeira.
    • Diagnóstico do Erro: Fuga ao Tema.
    • Narrativa do Erro: O texto fala de tarifas sobre produtos (comércio de bens), não sobre circulação de dinheiro ou investimentos. Além disso, o Mercosul busca facilitar, não limitar, fluxos financeiros, embora ainda não seja um Mercado Comum pleno.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • B) Padronização da política monetária.
    • Diagnóstico do Erro: Confusão de Estágios.
    • Narrativa do Erro: Política monetária padronizada significa ter a mesma moeda ou Banco Central unificado (como o Banco Central Europeu). O Mercosul não tem isso; cada país tem sua moeda (Real, Peso, Guarani) e decide seus juros.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • C) Funcionamento da união aduaneira.
    • Análise de Correspondência: Perfeito. A característica definidora de uma União Aduaneira é a adoção de uma Tarifa Externa Comum (TEC). É exatamente essa regra que obriga os países a negociarem diplomaticamente qualquer alteração nas taxas de importação, pois a decisão afeta o bloco todo.
    • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
  • D) Dependência da exportação agrícola.
    • Diagnóstico do Erro: Fato verdadeiro, mas Causa errada.
    • Narrativa do Erro: O Brasil e a Argentina dependem do agro? Sim. Mas não é isso que obriga a negociação diplomática da tarifa. O que obriga é a regra jurídica do bloco (a TEC). A dependência agrícola é uma característica econômica, não institucional.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • E) Equivalência da legislação trabalhista.
    • Diagnóstico do Erro: Inexistência Fática.
    • Narrativa do Erro: As leis trabalhistas no Brasil e na Argentina são muito diferentes. O Mercosul não unificou essas leis (isso seria um passo muito avançado de integração política/social).
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento:
No xadrez do comércio exterior, fazer parte de uma União Aduaneira (Alternativa C) significa perder a liberdade de jogar sozinho: para alterar a altura do muro que protege o bloco (a TEC), o Brasil precisa do consenso de seus vizinhos, equilibrando interesses divergentes através da diplomacia.

Resumo-flash (A Imagem Mental):
União Aduaneira = Casamento com conta conjunta. Você não pode gastar (mudar a tarifa) sem combinar com o cônjuge.

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Atualmente, discute-se se o Mercosul deve “descer um degrau” e voltar a ser apenas uma Zona de Livre Comércio. Isso acabaria com a TEC e permitiria que o Uruguai ou o Brasil fizessem acordos sozinhos com a China, por exemplo. É o debate entre Flexibilização vs. Coesão do Bloco.

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