Questão 06, caderno azul do ENEM 2018 – Dia 1

“‘A Declaração Universal dos Direitos Humanos está completando 70 anos em tempos de desafios crescentes. Quando o ódio, a discriminação e a violência permanecem vivos’, disse a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Audrey Azoulay.

‘Ao final da Segunda Guerra Mundial, a humanidade inteira resolveu promover a dignidade humana em todos os lugares e para sempre. Nesse espírito, as Nações Unidas adotaram a Declaração Universal dos Direitos Humanos como um padrão comum de conquistas para todos os povos e todas as nações’, disse Audrey.

‘Centenas de milhões de mulheres e homens são destituídos e privados de condições básicas de subsistência e de oportunidades. Movimentos populacionais forçados geram violações aos direitos em uma escala sem precedentes. A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável promete não deixar ninguém para trás – e os direitos humanos devem ser o alicerce para todo o progresso.’

Segundo ela, esse processo precisa começar o quanto antes nas carteiras das escolas. Diante disso, a Unesco lidera a educação em direitos humanos para assegurar que todas as meninas e meninos saibam seus direitos e os direitos dos outros.”

Disponível em: https://nacoesunidas.org. Acesso em: 3 abr. 2018 (adaptado).

Defendendo a ideia de que “os direitos humanos devem ser o alicerce para todo o progresso”, a diretora-geral da Unesco aponta, como estratégia para atingir esse fim, a

a) inclusão de todos na Agenda 2030.

b) extinção da intolerância entre os indivíduos.

c) discussão desse tema desde a educação básica.

d) conquista de direitos para todos os povos e nações.

e) promoção da dignidade humana em todos os lugares.

✍ Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Interpretação de Texto (Localização de Informações Explícitas).
  • Gênero Textual: Discurso/Artigo de Opinião.
  • Cidadania e Direitos Humanos (O papel da Educação).

Tema/Objetivo Geral:
Identificar a relação de Causa e Meio dentro de um texto argumentativo. Compreender qual é a ferramenta prática proposta pelo autor para alcançar um objetivo abstrato.

Nível da Questão:
Fácil.
Justificativa: A resposta está explícita no último parágrafo do texto. O desafio é apenas não se distrair com os objetivos nobres citados anteriormente e focar na ação concreta.

Gabarito:
Letra C – discussão desse tema desde a educação básica.
Resumo: A diretora da Unesco é categórica ao afirmar que o processo de valorização dos direitos humanos deve começar “nas carteiras das escolas”, ou seja, na base educacional.


Resolução Passo a Passo

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

A Missão:
O enunciado pede para identificarmos a estratégia (o “como fazer”) apontada pela diretora da Unesco para que os direitos humanos se tornem a base do progresso. Não queremos saber o “objetivo final” (a paz, o fim da fome), mas sim a ferramenta para chegar lá.

A Analogia Central (O Arquiteto):
Imagine que “O Progresso da Humanidade” é uma casa que queremos construir. O texto diz que os “Direitos Humanos” são o alicerce (a fundação) dessa casa. A pergunta da questão é: Qual é a máquina que usamos para construir esse alicerce?

Nosso Plano de Ataque:

  1. Ler o texto identificando o problema (contexto).
  2. Localizar a proposta de solução (a ação prática).
  3. Associar a metáfora “carteiras das escolas” com a alternativa correspondente.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para resolver essa questão, precisamos diferenciar dois conceitos que os alunos confundem frequentemente: FIM vs. MEIO.

Vamos usar um Fluxograma de Raciocínio para organizar o texto da Unesco:

  • O CONTEXTO (O Cenário):
    • Aumento do ódio, discriminação e violência.
    • 70 anos da Declaração Universal.

  • O OBJETIVO (O Fim/O Sonho):
    • Agenda 2030.
    • Não deixar ninguém para trás.
    • Direitos Humanos como alicerce do progresso.

  • A ESTRATÉGIA (O Meio/A Ferramenta): 🛠️
    • AQUI ESTÁ A RESPOSTA: “começar o quanto antes nas carteiras das escolas”.
    • Educação em direitos humanos para meninas e meninos.

3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos rastrear o texto como um detetive procurando a “arma” do crime (neste caso, a arma do bem).

Os três primeiros parágrafos pintam o quadro da situação mundial: guerras passadas, desafios presentes, pobreza e movimentos forçados. É o diagnóstico do paciente.

No último parágrafo, a diretora Audrey Azoulay prescreve o remédio. Observe a frase crucial:

“Segundo ela, esse processo precisa começar o quanto antes nas carteiras das escolas.”

E continua:

“…a Unesco lidera a educação em direitos humanos…”

A expressão “carteiras das escolas” é uma metonímia para o sistema escolar, o ambiente de ensino básico. Portanto, a estratégia não é uma lei, não é uma guerra, não é uma doação: é ensinar.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! O erro mais comum aqui é confundir a CONSEQUÊNCIA com a CAUSA.
Muitas alternativas falam de coisas maravilhosas (dignidade, fim da intolerância, inclusão). O aluno desatento pensa: “Ah, o texto fala disso, então deve ser a resposta”. Não! O texto fala disso como objetivo. A questão pede a estratégia. Pergunte-se sempre: “Como eu faço isso acontecer?”. Se a resposta não for “através da educação”, a alternativa está errada.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: O texto identifica problemas globais e aponta a escola (educação de base) como o local de início para a solução.
  • Expectativa: Devemos buscar uma alternativa que mencione “escola”, “ensino”, “educação” ou “crianças/jovens”.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Vamos analisar porque a (C) é a única ferramenta real e as outras são apenas desejos.

a) inclusão de todos na Agenda 2030.

  • Diagnóstico do Erro: Confundir o Todo com a Parte.
  • Análise: A Agenda 2030 é o quadro geral de metas, o grande plano. A inclusão nela é o objetivo, não a estratégia específica citada no último parágrafo para alicerçar o progresso.
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

b) extinção da intolerância entre os indivíduos.

  • Diagnóstico do Erro: Confundir Resultado com Estratégia.
  • Análise: Extinguir a intolerância é o sonho, o resultado final esperado. A estratégia para conseguir isso é a educação. Você não “usa” a extinção da intolerância; você alcança a extinção da intolerância.
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

c) discussão desse tema desde a educação básica.

  • Análise: Perfeito. O texto diz “começar o quanto antes nas carteiras das escolas”. “Carteiras das escolas” = “Educação Básica”. Esta é a ação prática proposta para assegurar que meninos e meninas conheçam seus direitos.
  • Conclusão: 🟢 Alternativa correta.

d) conquista de direitos para todos os povos e nações.

  • Diagnóstico do Erro: Fuga ao Tema / Contexto Histórico.
  • Análise: O texto menciona que a ONU adotou a Declaração como um padrão comum de conquistas. Isso é um fato histórico ou uma meta contínua, não a estratégia pedagógica que a questão pede.
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

e) promoção da dignidade humana em todos os lugares.

  • Diagnóstico do Erro: Generalização / Confundir Fim com Meio.
  • Análise: Novamente, promover a dignidade é a missão da ONU/Unesco desde o fim da Segunda Guerra. A educação é o veículo para essa promoção.
  • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

A Unesco define que a única forma de transformar direitos escritos no papel em realidade social é através da educação básica, iniciando o debate nas “carteiras escolares”.

Resumo-flash: ⚡
“Para colher a paz e o progresso (FIM), é preciso plantar a semente na escola (MEIO).”

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Este conceito se conecta diretamente à Sociologia de Émile Durkheim. Durkheim afirmava que a educação é o meio pelo qual a sociedade “socializa” as novas gerações, transmitindo os valores morais necessários para a coesão social. O que a Unesco propõe é exatamente isso: usar a educação como ferramenta de socialização moral baseada nos Direitos Humanos.

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